sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bolo integral de banana ou maça da Valéria

Gosto de testar receitas que usam ingredientes integrais. Todavia só repito as que achamos saborosas e que passam pelo crivo de meus familiares e amigos.
Assim tento sempre unir, ao escolher os cardápios daqui de casa, essas duas coisas: sabor e ingredientes que façam bem à saúde. Nesse sentido venho trocando, já há algum tempo, receitas com várias pessoas, e assim vamos experimentando sabores e receitas diferentes.
O que não quer dizer que eu e meus familiares sejamos chiitas e que só comamos ingredientes integrais. Comemos também ingredientes integrais. Aqui em casa todos apreciamos a boa comida independente de ser integral ou não.
Hoje vou dividir com vocês um bolo integral que nós gostamos muito.
Ele pode ser feito com banana d´água , também chamada de nanica ( não sei porque esse nome já que ela é enorme!) ou caturra; ou maçã.
Eu particularmente, assim como todos daqui de casa preferimos esse bolo com banana. Fica mais molhadinho e saboroso.
Esse bolo não leva leite vindo a ser uma boa opção para todos os alérgicos aos produtos de laticínios.
Outra vantagem que esse bolo tem é o fato de ser muito fácil e rápido de fazer. Além de ser dessas receitas que não tem muito como dar errado.
Essa receita quem me deu foi a Valéria, que é uma excelente esteticista com quem faço limpeza de pele.
Bolo de banana ou maçã da Valéria
- 1 xícara de açúcar mascavo
- 1/2 xícara de óleo ( se achar muito pode diminuir 1 dedo)
- 3 bananas dáguas ( ou 3 maçãs)
- 2 ovos
Bater todos os ingredientes acima no liquificador.
Jogar em um recipiente, no qual você costuma fazer seus bolos, e acrescentar aos poucos, mexendo sempre com uma colher de pau:
- 1 xícara de trigo integral
- 2 xícaras de aveia
- 1 colher de sopa de canela
- 1 colher de sopa de pó royal
- 1 banana ( ou 1 maçã) picadinha.
- Passas a gosto.
Untar uma forma furada ao meio. Se a forma for muito grande o bolo fica muito baixinho e menos gostoso.
Assar em forno pré-aquecido por 40 minutos.
Essa receita vai muito bem para um cafézinho.
A água já está no fogo?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A questão do envelhecimento na atualidade

A questão do envelhecimento, principalmente o feminino, na atualidade tem chamado minha atenção.
Nós mulheres nos encontramos atualmente escravizadas a eternizarmos a juventude através de vários apelos que nos chegam de todas as direções. Seja pelo padrão global que domina nosso país, através da rede globo. Seja pelo processo de globalização mundial, que nos impõe uma ditadura das top models, cuja magreza beira a anorexia. Seja pela profusão cada vez maior de produtos de beleza que surgem a cada dia e prometem acabar com todas as rugas a preços estratosféricos. Seja pela gama de ofertas de cirurgias plásticas e de procedimentos médicos ambulatoriais de aplicação de ácidos, botox, dentre outras coisas. Se juntarmos tudo isso parece que encontraremos o paraíso.
Claro que não é muito agradável acordarmos a cada dia e atestarmos a existência da lei da gravidade. Todo ser humano tem, dentre uma de suas fontes de sofrimento, a dificuldade de lidar com seu corpo que envelhece, adoece e morre. E o surgimento das rugas, da flacidez em nosso corpos, nos aponta para nossa finitude vindo a ser, consequentemente, fonte de sofrimento para cada pessoa.
Chama minha atenção como, especialmente, o discurso médico lida com tudo isso.
Estou a procura de um médico dermatologista e tenho sentido uma certa dificuldade de encontrar um profissional que não ofereça já na primeira consulta, essa profusão de procedimentos milagrosos que prometem te remoçar alguns bons anos. Confesso que as ofertas são tentadoras. Entretanto o preço e a repetição quase que semestral de tais tratamentos, além de serem proibitivos para meu padrão econômico, implicariam em cortes para mim e para os meus familiares de férias, viagens, compras de livros, discos, filmes, etc.
Soma-se a isso o fato de que tais procedimentos são acompanhados por duras restrições que, para mim, equivalem a deixar de viver, uma vez que adoro praia. Estou falando de ir à praia para nadar, mergulhar, andar de caiaque, jogar frescobol, caminhar e tudo mais que a vida perto do mar pode nos oferecer de lazer. Claro que tomo alguns cuidados como o uso do filtro solar, viseira, ficar na sombra, na medida do possível.
Todavia ao somar, dividir e multiplicar as perdas e os ganhos que teria ao me submeter a tais procedimentos médicos concluo que, no meu caso, não valeria à pena. Gosto muito de viver e minha vida iria ficar muito reduzida e eu, mal humorada.
Todavia as rugas estão presentes, marcando meu rosto e alterando meu sorriso, que já nem mais mostrava os dentes. Mal sinal. Fazer o quê?
Redescobri por acaso, através de minha filha, que viu na TV, uma matéria sobre a ginástica facial. Eu já tinha colado alguns desses exercícios que haviam sido publicados já há algum tempo em um jornal de Vitória, na porta de meu armário. Incentivada pelos filhos passei a fazê-los diariamente. Não é que meu tônus muscular está voltando?? Meu sorriso já mostra os dentes. E eu estou até bem felizinha.
O que mais me agrada nesses exercícios é a concepção que está embutida neles que o corpo, como é um organismo vivo, pode se regenerar. Claro que com esses exercícios você não irá engrossar as fileiras do exército de Barbie que a cosmeatria e a medicina estão ajudando a proliferar. Mas você pode até voltar a sorrir mais bonito.
Vai de brinde uma série desses exercícios para você. Faço uma dessas caretas e conto até 60 e passo para outra. É bem rápido.
Teste, se assim o desejar, durante pelo menos três meses e depois me diga se você também não vai sorrir mais bonito.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dos filmes que eu vi: A Onda

Contrariando a música de Lulu Santos que diz que "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...", o filme alemão A Onda, do diretor Dennis Gansel, atesta o que nos demonstram a história da humanidade e a existência do inconsciente: que na vida humana tudo se repete. E que a segregação está na base de todo e qualquer grupo.
O filme, baseado em uma história real, nos mostra um professor que propõe a seus alunos vivenciarem, em um curto espaço de tempo, como se constrói e se sustenta um regime autocrático.
É assustador assistirmos como aqueles adolescentes vão sofrendo mudanças radicais em seus modos de ver, sentir e levar a vida na medida em que vão experienciando, no grupo, os princípios da ditadura.
Do sectarismo à violência é só um pulo e o professor perde o controle da situação que era para ser, a princípio, uma espécie de laboratório.
Vale destacar que na história, duas alunas, mulheres, conseguem ver o absurdo que está acontecendo e rompem com o grupo. Para uma dessas alunas a influência de sua mãe foi fundamental para que ela não somente rompesse com o grupo, como também passasse a combatê-lo.
Outra questão que se destaca no filme é o fenômeno mais intrigante e curioso da psicologia dos grupos. Estou me referindo aqui à perda de liberdade individual a que todo indivíduo se submete ao vestir a camisa, ou uniforme, de um determinado grupo.
Fascinado pelo líder e pelos seus irmãos ou iguais no grupo e para ser amado e aceito por eles, o indivíduo passa a pensar, agir e sentir de acordo com o que é ditado pelo grupo.
Fascinação e servidão são fenômenos psicológicos que andam juntos, favorecendo a sujeição humilde e a obediência cega do indivíduo para com as ordens do líder e as regras criadas pelo grupo.
Identificado ao líder e aos outros membros do grupo o indivíduo abre mão de sua iniciativa, criatividade e de seu senso crítico. O grupo não permite a emergência da diferença, só aceita e acolhe os iguais.
Tais fenômenos grupais ocorrem com maior ou menor força em todos os grupos que participamos no decorrer de nossas vidas e com os quais nos identificamos.
Sorte nossa que o ser humano passa a vida inteira se identificando e se desidentificando com inúmeras pessoas e grupos no decorrer da vida.
Alguns filmes valem a pena serem vistos pela beleza da história, pela música, ou pela fotografia. Outros, como esse, para nos lembrar como caímos como patos em armadilhas quando ficamos fascinados por uma pessoa, por uma ideia ou por um grupo.

sábado, 24 de outubro de 2009

Aprendiz de Feiticeira.

Gosto muito de escrever. Todavia tenho lá minhas dificuldades com essas coisas da modernidade. Botões, teclas e todo esses aparelhinhos que tenham várias funções e recursos me embananam.
Assim também é minha relação com o computador. Que prazeiroso é escrever e colocar a disposição de vocês meus textos. Que confusão arrumo quando quero mudar ou acrescentar alguma coisa nova no meu blog!
Foi isso que aconteceu quando introduzi a foto de Cachoeiro. No fim daquele texto saiu um rascunho que não deveria ter saído. Ainda bem que deu um espaço enorme entre o fim do texto e as frases soltas que escaparam, denunciando meu embaraço.
Fazer o quê? Quando vi já havia editado.
Assim é a vida! Sempre algo nos escapa.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para Rubem Braga com carinho


Ninguém em sã consciência manda bilhete ou recado para um morto. Mesmo que ele seja imortal como é o caso do meu ilustre conterrâneo Rubem Braga que, se ainda estivesse entre nós, bairrista que foi, suponho que iria ter o prazer de registrar a notícia publicada em um jornal de minha cidade na edição de ontem, 21 de Outubro de 2009.
A revista Rolling Stone elegeu as 100 melhores músicas brasileiras de todos os tempos. Não é que dentre elas constam dois cantores, compositores capichadas de Cachoeiro! São eles Roberto Carlos, com quatro músicas: Detalhes, Eu quero que vá tudo para o Inferno, As Curvas da Estrada de Santos e Sentado a Beira do Caminho. E Sérgio Sampaio com a música Eu quero é Botar Meu Bloco na Rua.
Confesso que sinto orgulho quando, ao dizer, em qualquer parte do Brasil ou nos países de língua latina por onde andei, que sou natural de Cachoeiro ter que, imediatamente, confirmar que sou da terra de Roberto Carlos. Em algumas situações informo que é também a terra de Rubem Braga.
Ser cachoeirense é sempre motivo de brincadeiras e galhofas entre os meus amigos e familiares, pela fama de bairrista que temos. As brincadeiras e galhofas sempre se iniciam pelo título que dizem ter sido dado pelos cachoeirenses para sua cidade que é por nós considerada a capital secreta do mundo.
Um fato que eu acho risível que é outro motivo de galhofa é que aqui em Vitória existe um consulado de Cachoeiro. Morro de ri sozinha quando vejo, caminhando no calçadão da praia, alguns respeitáveis senhores usando a camisa que os identifica. Após realizada a caminhada eles sentam para conversar em dois banquinhos do calçadão, que suponho deva ser a sede do consulado.
O cachoeirense quando encontra uma pessoa dessas que temos certeza que conhecemos sem sabermos de onde ou quem ela é, nos aproximamos e perguntamos se ela é de Cachoeiro.
A relação de bairrismo que temos com nossa cidade natal, apesar de muito de nós, como é o meu caso, termos saído de lá, é que ela não sai de nossos pensamentos e corações. Foi lá em nossa casa paterna, com nossa família que aprendemos a falar língua materna e a dar os primeiros passos na vida. É na infância e adolêscencia que introjetamos valores que servem de base para os critérios que iluminam nossas escolhas pela vida afora. Data também dessa época algumas daquelas amizades eternas. Aqueles amigos que sempre que os reencontramos os acolhemos e somos acolhidos por eles. E lá também vivenciamos nossas primeiras paixões e desencantos.
No caso de nós cachoeirenses tudo isso é vivido ali, nas margens do rio Itapemirim, tendo o Itabira como testemunha.
Entendem agora porque é lá a capital secreta de nosso mundo?

















Todavia não posso deixar de Aposto que se ele ainda estivesse entre nós, com a gaiatice que lhe era peculiar, iria se deliciar com a notícia publicada no jornal de minha cidade que noticiou

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cogumelos na paisagem e peru na mesa




Divido com vocês a beleza da foto desses cogumelos, que parecem ser de contos de fadas. É incrível como alguns tipos desses fungos, que nascem de repente e tem uma vida tão curta, podem ser tão bonitos. Sempre que os encontro gosto de fotografá-los. Talvez para marcar a beleza gratuita que a vida nos oferece e que nem sempre enxergamos.
Isso me fez lembrar um sambinha muito bom cantado pela Cristina Buarque que diz assim: "quem tudo olha quase nada enxerga, quem não quebra se enverga a favor do vento.." Assim é a vida. Nela sempre algo nos escapa. E se temos a ilusão de que enxergamos demais logo tropeçamos nas nossas próprias pernas.
Esse tropeços volta e meia acontecem em minhas lidas com o forno e o fogão. Se fico muito apressada dá tudo errado e tenho que me virar para transformar o erro em algo comestível.
No nosso dia a dia familiar tento elaborar um cardápio com comidas saborosas, dessas que perfumam a casa e sejam, ao mesmo tempo, nutritivas. Quando não erro a mão no tempero, quase sempre consigo isso.
Entretanto se vocês perguntarem para minha filha ela vai dizer que isso não é a inteira verdade e que vale mais para o fim de semana, que é quando, efetivamente, sou a cozinheira. Ela está, em parte certa. É por isso que os almoços de fim de semana são especiais. É quando podemos nos esmerar mais na escolhas da receitas e no preparo dos alimentos. Mesmo assim vou tentando encontrar diferentes receitas para o cotidiano que possam unir o sabor à boa alimentação.
Hoje vou dar uma receita de minha autoria de uma coxa de peru que cozinho numa Wok. Eu adoro peru. Minha mãe fazia no natal um peru recheado com duas farofas e assado no natal que ficava muito saboroso!
Atualmente partes do peru podem ser encontradas durante todo ano nos super mercados, o que acho ótimo. Soma-se a isso o fato da carne do peru ser magra e saborosa. Faço a coxa de peru e não o peito porque as carnes escuras, por serem mais molhadas, são as minhas preferidas.
Essa receita deixa a casa com cheirinho de casa materna.
Coxa de peru cozida de panela à minha moda
Descongelar a coxa de peru. Tirar a pele. Furar a carne. Colocar em uma vasilha de plástico ou vidro que caiba a coxa deitada e totalmente embebida no tempero, de um dia para o outro.
Tempero.
- Sal a gosto. Calculo mais ou menos uma colher de sopa rasa de sal para até duas coxas.
- 6 a oito dentes de alhos espremidos;
- 1 cebola branca grande picadinha;
- 3 folhas de louro;
- pimenta do reino;
- 1/2 xícara de vinho tinto;
- um amarrado de salsa cebolinha ( pode acrescentar salsão e alho poró se tiver ou quiser);
- um pouquinho de molho inglês;
- caldo de 1/2 limão ou vinagre;
- Se quiser pode acrescentar um pouco de orégano.
- cobrir com água filtrada.
Ajustar o sal. Cobrir com um pano de prato e deixar a coxa de molho nesse tempero até o dia seguinte.
Para cozinhar: colocar a coxa em uma panela e cobrir com o tempero (eu faço numa wok, por que cabe bem folgado até duas coxas ).
Tampar e deixar cozinhar em fogo baixo por mais ou menos três horas. Vire a coxa de vez em quando.
Abaixe o fogo assim que começar a ferver.O fogo deve ser brando, mas não pode ser tão baixo, que pare totalmente a fervura.
Depois é só tirar a coxa do molho, desosar e servir.
Se cozida no tempo certo essa coxa desmancha na boca!
O caldo do molho você pode congelar em pequenos pote para usá-los em algumas sopas.
Todos aqui em casa adoramos esse prato.
Espero que vocês também gostem.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Guacamole

Dentre as receitas testadas e aprovadas por minha família está uma receita que comecei a degustar e a gostar recentemente, que é a receita de guacamole.
Na verdade conheci essa receita em 73/74 quando estudei por um ano em Loves Park, Illinois , USA, como AFS, época em que vivi na casa da família Marshall, onde conheci a comida natural e seus benefícios, assim como o americam way of life.
O interessante de ter participado do intercâmbio foi o contato com estudantes de diferentes continentes e culturas, além do aprendizado da língua, é claro!
Quem me salvou naquela época do absoluto deslumbramento com o desenvolvimento tecnológico americano e do consequente aculturamento que testemunhei entre muitos estudantes estrangeiros foi o Pe José Costa. A esse amigo devo muito de minha formação política. Sabendo que eu iria viajar ele brincava comigo e fingia me dar uma vacina no antebraço. Era uma vacina anti americana, como ele dizia. Não é que a vacina pegou mesmo?
Pensem no impacto que era para cada estudante com idade variando entre 17 a 18 anos sair de seus países de origem e conhecer a promissora América do Norte. Isso na década de 70, em plena ditadura militar no Brasil, tempo da guerra fria, época em que o estilo de vida americano, assim como a dominação política e econômica dos Estados Unidos, estavam se consolidando no mundo.
Testemunhei a transformação e o aculturamento de muitos amigos com quem convivi durante aquele período de intercâmbio, que culminava muita vezes em conflito ao terem de retornar para os seus países de origem.
Com a família que me hospedou conheci a comida nutricional e aprendi a gostar de arroz integral, de tacos e de outras comidas mexicanas.
O guacamole vai muito bem com pão, torradas, além de ser um alimento funcional, tão em voga hoje em dia.
A melhor receita de guacamole que comemos aqui em casa é da coleção Cozinha País a País, publicado pelo jornal Folha de São Paulo.
Essa receita dá para até seis pessoas.
Ingredientes.
- dois abacates grandes e maduros,
- 1/4 de cebola média,
- 1 pimenta verde,
- 1 tomate médio,
- 1 limão verde,
- 2 raminhos de coentro
- sal a gosto
Modo de fazer
Corte a cebola, o coentro e a pimenta bem fininhos.
Tire a casca e as sementes do tomate e pique a polpa bem pequena e fina.
Amasse bem o abacate e acrescente todos os ingredientes acima.
Regue com um pouco de limão.
Acrescente o sal.
Misture bem e sirva imediatamente.
Se sobrar guarde na geladeira e consuma até o dia seguinte.
Aqui em casa, normalmente, fazemos essa receita com um abacate grande, pois ela rende bastante.
Convide um amigo. Coloque uma boa música, sirva esse lanchinho rápido e coloquem a conversa em dia.
Depois me informe se fez ou não fez sucesso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quibe de Dona Maura

O que me motivou a escrever minhas receitas foi a necessidade de reorganizar meu caderno separando as receitas prediletas da família, já devidamente testadas e aprovadas. Meu filho sugeriu que eu fizesse isso no computador. Juntei a essa demanda a necessidade que estava sentindo de voltar a escrever e registrar algumas memórias. E confesso que precisei tomar coragem para partilhá-las. Assim nasceu esse blog.
Na minha rua, lá em Cachoeiro, morava uma família de descendentes de turcos, desses "de balcão", que é como meu irmão se refere aos descendentes de árabes que são bons na arte de de comprar e vender. Eles tinham uma vendinha de onde saía todas as manhãs um garoto que entregava quibes fritos em alguma lanchonete da cidade. Quando ele passava com uma cestinha de palha redonda, forrada cuidadosamente com panos de prato bastante alvejados, exalava um aroma delicioso!!
O menino sempre trazia um pouco a mais que ele ia vendendo no caminho. Eu e minhas irmãs sentávamos na porta da nossa casa e, sempre que podíamos, comprávamos aqueles quibes.
O cheiro daqueles quibes ficaram nas minhas lembranças.
Passado vários anos voltei a sentir aquele mesmo delicioso aroma na casa de minha sogra.
Assim a culinária e a cultura árabe se misturaram em minha vida e na de meus filhos e amigos que volta e meia partilham de nossa mesa.
Alguns pratos árabes são bastantes demorados para fazer. Brinco com meu marido que essa é uma estratégia para os homens manterem as mulheres na cozinha e em casa. Na verdade muita coisa que estamos vendo hoje de fundamentalismo no mundo árabe me assusta bastante. Entretanto aprendi que uma cultura não pode ser reduzida a um grupo, assim como uma pessoa não deve ser avaliada por alguns de seus comportamentos.
Hoje vou brindá-los com o quibe de dona Maura, minha sogra. Vou confessar que não me atrevo a enrolar o quibe, não consegui aprender. Assim faço quibe assado que fica bem gostoso, mas não é igual ao da mamãe, dirá meu marido. Fazer o quê? Sou esperta o suficiente para não competir com mãe, que vem a ser o primeiro modelo de amor infantil. Pensando bem talvez até seja por isso que eu não tenha insistido em aprender a enrolar o quibe: a desvantagem já era de saída enorme!
Quibe de dona Maura
Ingredientes:
Obs: Essa quantidade é para família com 10 filhos. Se você não tem essa quantidade de filhos pode congelar a massa e usar posteriormente, ou fazer meia receita, se quizer.
Em minha casa sempre que faço a receita inteira e congelo parte da massa.
- 1 kg de patinho bem limpo e cortado em cubos
- 1 kg de trigilho lavado e bem espermido
- 2 cebolas médias
- bastante hortelã
- canela em pó (em menor quantidade que a de pimenta)
- pimenta do reino árabe
- sal a gosto
Modo de fazer:
- Moer tudo junto por duas vezes.
(O mixer dá conta de fazer isso - desde que o triguilho fique um pouco de molho para amolecer , antes de ser espremido e você vai moendo aos poucos. Tem que moer tudo junto senão a massa do quibe não fica tão boa)
- Depois de moído para se trabalhar a massa acrescentar um pouquinho de água gelada, que vai sendo misturada aos poucos na massa em uma vasilha grande . O quibe pode ser frito assado ou comido cru.
Para comer o quibe cru deve-se acrescentar 200 gramas a mais de carne ao fazer a massa do quibe.
Para o quibe assado: untar um tabuleiro ou um pirex e abrir metade da massa. Rechear e cobrir com a outra metade. Furar o quibe com um garfo, regar com azeite e colocar para assar.
Recheio:
- Carne moída bem temperada com cebola branca, alho, sal e um pouco de óleo.
Fazer em uma frigideira até a carne ficar totalmente seca. Ela fica bem douradinha. Desligar o forno e espremer o caldo de um limão.
Bom apetite!
Testemunhem como a palavra engana o sentido: estou sentido o cheiro e o sabor do quibe.
O jeito vai ser fazer essa receita no fim de semana.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dos filmes que eu vi: Tempos de Paz

Por falar em boas receitas, que nos aguçam os sentidos e nos enchem de prazer ao serem compartilhadas com nossos familiares e amigos, também temos outras fomes.
Hoje vou falar da minha fome de bons filmes.
Como já dizia o Dr Freud o cinema , o teatro, nos permitem, através da identificação com os personagens, vivermos e descarregarmos emoções com um gasto mínimo de energia. Assim enquanto assistimos a um filme ou a uma peça de teatro podemos ser a heroína ou a vilã, a fada ou a bruxa, o político corrupto, o educador que muda vidas, o sobrevivente de uma grande tragédia, reatar e desatar laços afetivos, vivermos emocionantes histórias de amor, realizarmos viagens, .. e vivermos por alguns momentos algumas situações que nossa vida cotidiana e nossas posses não não permitem.
O grande ganho disso tudo é que ao fim do filme ou da peça de teatro retornamos para nossas vidas, e deixamos para trás os nossos heróis que podem, em alguns casos, sobreviver em nossas fantasias.
É desses filmes que os heróis sobrevivem em minha fantasia que quero compartilhar com vocês. Vou começar pelos filmes mais recentes que vi. Está em cartaz no circuito nacional, e ficou em cartaz em minha cidade por um período super curto e sem nenhuma indicação de estrelas da crítica, do jornais em minha cidade, um filme belíssimo: Tempos de Paz. Que história bem contada!
Um história aparentemente simples de um polonês que chega ao Brasil, que é confundido com um nazista e, por essa razão, é interrogado por um agente alfandegário, que é um ex torturador.
Quanta vida e emoção no encontro entre esses dois homens com histórias e vidas tão diferentes!! A beleza do personagem polonês ( vivido por Dan Stullback) apaixonado pela sonoridade de nossa língua portuguesa, que não pode imaginar que, em uma língua tão linda e sonora como a nossa, possa haver palavras e práticas como a tortura política e outras barbaridades que o motivaram a fugir de seu pais.
Esse polonês que chega é interrogado pelo funcionário da alfandega (vivido por Tony Ramos) que havia sido criado em um orfanato para crianças abandonadas, educado para cumprir ordens, sem nenhuma emoção ou projeto de vida. Assim pode ser o torturador, o agente alfandegário, ou mesmo sumir de circulação se os tempos forem de paz e o padrinho assim lhe ordenar. Sabe aquele brincadeira infantil de fazer tudo que o mestre mandar? É assim que esse personagem passa a vida: obedecendo ordens. Ele é aquela pessoa que faz o serviço sujo para os políticos honrados.Só não estava previsto por seu padrinho o encontro de seu afilhado com esse artista polonês.
Ainda bem que, como nos disse Guimarães Rosa, através de seu personagem Riobaldo, que o mais importante e bonito da vida é que os seres humanos estão sempre mudando e que as pessoas não estão terminadas, não é mesmo?
A belíssima direção é de Daniel Filho.
O final desse filme é emocionante. Vejam e me digam!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Broa deliciosa

Esse novos tempos de goumert não tem nenhuma relação com as lembranças de minha infância.
Pessoalmente associo sempre uma boa comida a boas lembranças e histórias nas quais estão incluídas pessoas queridas. Sejam elas das minhas relações familiares ou de meu círculo de amizade. Os pratos que me fazem salivar, sempre são repletos de boas lembranças. São esses pratos que quero partilhar com vocês. Recentemente aprendi na yoga que o aumento de saliva está relacionado com o nível de relaxamento. Quanto maior o relaxamento mais salivamos.
Hoje o prato que darei a receita é uma broa. Broa era um bolo sempre muito presente na minha infãncia. Vinha sempre acompanhada de um café fresquinho que exalava um delicioso aroma. A broa era servida quente com manteiga, que derretia ao calor do bolo. Hoje as descobertas sobre o colesterol fizeram com que eu cortasse a manteiga nos acompanhamentos de pães e bolos, cujo sabor continuam deliciosos.
A broa mais saborosa que comi e que agregei as minhas receitas prediletas vem da idade adulta e acompanhava os estudos, em cartel, na casa de Vera.. Cartel é um dispositivo de estudo utilizado pelos analistas lacanianos que visa quebrar os efeitos de grupo. Nos cartéis que participo sempre tem um cafézinho com algum bom acompanhamento.
Nessa receita a broa mantém seu forte sabor de fubá e a leveza de um bolo. E é muito simples de fazer.
Essa broa era feita pela Dinalva.

Broa da Dinalva.

Ingredientes
- 2 copos de fubá
- 1 copo de trigo
- 2 copos rasos de açúcar
- 1/2 copo - passando do meio um dedo de óleo
- 1 pitada de sal
- 1 colher de sopa de pó royal
- 3 ovos
- 1 copo de leite.

Modo de fazer
Bater o óleo e o açúcar e as gemas. Ir Misturando, aos poucos, os outros ingredientes e continuar batendo.
Bater a clara em neve e reservar.
Deixar a clara e o pó royal para serem acrescentados ao final, com uma colher de pau, mexendo levemente.
Untar uma forma com óleo e assar em forno quente.
O tempo para assar é de mais ou menos 40 a 45 minutos, em um forno de 170 graus.

Atenção: -o segredo da leveza dessa broa está na finalização. Em misturar a clara em neve e o pó royal levemente, com uma colher de pau.
Se quizer pode diminuir um pouco o óleo e o açúcar e trocar o leite por água. Essas mudanças não alteram o sabor, nem a leveza da broa.

A água para o cafézinho já está no fogo?

Um abraço.

Inhoque com gostinho de infância

Algumas histórias do quanto já fui desajeitada na cozinha estão me vindo a mente e pedindo para serem contadas.
Sou filha caçula de dez irmãos de uma família de descendência italiana e espanhola por parte de pai e portuguesa por parte de mãe. Do lado paterno nossa ligação maior sempre foi com a família de minha avó. Dai se origina um traço de família: todos lá em casa falam alto, usando as com as mãos, e ao mesmo tempo. Italiano conversando parece que está brigando ou fazendo festa. É assim mesmo.
Meu pai, Seu Milton, era um figuraço. Bravo como o quê, mas bastante engraçado, espirituoso, falava umas bobagens das quais era o primeiro a rir. Isso de rir de si mesmo era um traço de meus pais que eu herdei. Minha mãe, Paulina, também tinha a capacidade de rir de si mesma e das agruras da vida.
Como caçula de uma família cheia de irmãs muito prendadas eu, de cozinhar, sabia nada. Numa feita estávamos de férias em Guarapari, onde meus pais tinham casa de praia e fui escalada para ir com papai a Cachoeiro, para cuidar da casa e cozinhar. Era esse o esquema: nós ficávamos de férias na praia de dezembro a fins de fevereiro e papai e meu irmão Fernando, que trabalhava com ele, ficavam indo e vindo a trabalho de terça a sexta, quando retornava à Guarapari. Sempre acompanhado por uma de suas filhas.
Sem muito entusiasmo lá fui eu. Quem conhece Cachoeiro no verão, quando a cidade fica deserta e muito quente, sabe do que estou falando.
Já em Cachoeiro ao acordar, meu pai me mandou fazer um chocolate quente para ele. Mamãe fazia um chocolate delicioso com gema de ovo, açúcar e chocolate em pó batidos que eram acrescentados ao leite que já estava no fogo. Como dizer, sem levar bronca, que eu não sabia fazer o tal chocolate?? O jeito era tentar qualquer coisa. Assim misturei e bati juntos todos os ingredientes. Inclusive a clara do ovo. Joguei no leite que estava no fogo que, ao ferver, talhou! Não tinha mais leite na geladeira, o que fazer?! Rapidamente coei o leite em um pano de prato limpinho e o levei à mesa. Papai me perguntou se eu não iria tomar também. Respondi que não queria. Ele tomou um gole, me olhou de cara feia, ficou resmungando e estalando os lábios, que era como ele fazia sempre que estava bravo, e não tomou mais o chocolate.
De volta à Guarapari papai comentou com minha mãe que veio me perguntar o que tinha acontecido. Contei para ela e rimos bastante do ocorrido. Assim,com fama de péssima cozinheira, me livrei de acompanhar meu pai a Cachoeiro.

Como falei de minha descendência italiana, não posso me furtar de lembrar dos domingos com farta macarronada, inhoque, que eram servidos com galinha assada, salada e do vinho com água e açúcar que as crianças tomavam acompanhando as refeições. Inúmeras vezes a massa era feita em casa. Muitos domingos foram passados em Castelo, onde almoçavamos na casa de tia Derli Fittipaldi, irmã de meu pai. Lá a massa caseira era também ótima. Era uma casa muito alegre e cheia de música. Tio Antônio, que era italiano, era também músico. Eu, particularmente, adorava o piano, que não tínhamos em nossa casa.
Já casada e com filhos em Vitória, íamos muitas vezes na casa de Zezé, que toca piano, era como meus filhos pequenos, se referiam a minha prima filha de tia Derly.

Falar de família italiana vem mãe a receita do inhoque da mamãe. Não adianta fazer em inhoqueira, que não fica igual. A finalização, que dá a leveza da massa, pede os dedos "maior de todos e fura bolo", pressionados e puchados para junto de si, rapidamente, fazendo com que o inhoque já cortado, enrole. Só quem é de família italiana sabe do que estou falando.

Inhoque de dona Paulina.

Ingredientes:

1kg de bata inglesa, cozida e espremida.
1 colher de manteiga ou óleo
sal a gosto
trigo até dar consistência ( mais ou menos 1kilo).
Em uma bancada ou mesa enfarinhada enrolar a massa - na finura de um dedo- cortar em diagonal e pressionar com os dedos puchando a massa para junto de si.
Dispor o inhoque um ao lado do outro em um recipiente enfarinhado.
Para cozinhar: ferver um caldeirão com água e sal e ir colocando as massinhas aos poucos. Ao cozinhar o inhoque sobe e deve ser retirado com uma escumadeira e sendo escorrido e colocado ao pirex para ir à mesa intercalado com o molho de sua preferência e de um bom queijo ralado.
Meus molhos prediletos para acompanhar essa receita é o de tomate ou a bolonhesa.

Esse inhoque merece um brinde: saúde!

Pão da Telma

Nessa brincadeira de reinventar a vida partilhando receitas descobri o já sabido: que ao se partilhar receitas, histórias, ou qualquer outra coisa, a operação matemática que realizamos é de multiplicar, não de dividir. O retorno afetivo é tão gratificante que estimula a escrevermos mais.
Algumas pessoas pediram a receita do pão da Telma e como sou, de acordo com seu Milton, meu pai, especialista em conversa fiada,não poderia passar a receita sem contextualizá-la na minha história.
A Telma é uma vizinha da rua D. Fernando, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), cidade onde nasci e morei até os 17 anos. Era dessas vizinhas que por ser alguns anos mais nova era da turma das pirralhas. Na época da universidade, já em Vitória, moramos na mesma república, no centro da cidade. Ali nos tornamos amigas. Dessas que a gente fica tempos sem ver e quando se encontra parece que nos falamos ontem, tamanha é a intimidade, confiança, respeito, confluência de gostos e de estilo de vida.
Reencontrei Telma e sua família no Rio. Ela padeira de mão cheia me passou a receita de um pão que deu muito certo. Vou passar a receita que ela me deu e as pequenas mudanças que fiz. É que muitas vezes reinvento receitas e as faço do meu modo. Quase sempre dá certo.
Esse pão, como outras receitas que virão, tem o sabor da amizade, do reencontro, de boas lembranças e de muito afeto. Acho que talvez esteja ai o segredo, o tempero e o fermento que fazem o sucesso de minhas receitas prediletas.
Sovar bem o pão é uma diversão que não troco por máquina nenhuma. Soma-se a isso que, como é sabido, depois dos cinquenta, a mulher perde massa muscular. Assim sovar o pão se torna um ótimo exercício da academia doméstica.

INGREDIENTES:
2 tabletes de fermento
1/2 xícara de água morna
2 colheres de sopa de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de óleo
1 colher rasa de de sal
1 xícara de aveia em flocos
2 xícaras de água fervente
5 xícaras de trigo
1/2 xícara de farinha de soja ( que Telma disse ser opcional e que ela não coloca. Eu também nunca coloquei)

Modo de fazer;
Dissolva o fermento na água morna e reserve.
Em uma bacia junte o açúcar, o sal e adicione água fervente. Misture bem. Espere amornar e junte o fermento.
Adicione o trigo. Sove bem. Se necessário acrescente mais trigo. Deixe descansar até crescer bem.
Amasse novamente e faça os pães. Deixe descansar mais ou menos o mesmo tempo.
Asse em forno quente (170 graus) por 55 a 60 minutos.

As mudanças que realizei foram:
- transformar essa receita em pão integral e salgado colocando: - metade do trigo da receita branco e metade integral (2 1/2 xícaras de cada) e substituindo o sal e o açúcar da receita original por 1 colher de sopa rasa de sal e uma pontinha da mesma colher de açúcar mascavo;
- no lugar do óleo coloco azeite;
- acrescento ainda na massa um punhado de linhaça e gergelim.
- e 1/2 xícara de quinoa real em flocos.

Essa receita dá duas formas de pão

Deu para sentir o cheiro do pão?

Grande abraço,

Massa para pizza ou pão

Olá,

aproveitando a nova vida de aposentada, que me faz pensar que nós nascemos para não fazer nada, de tão bom que estou achando ser remunerada pelos 35 anos que já trabalhei. Na verdade ainda não usufrui desse beneficio, pois minha meia aposentadora é bem recente e não recebi nenhum contra cheque com esse novo estatuto de trabalhadora aposentada. Assim estou eu aqui inventando o que fazer. O que precisa ser feito nessa minha vida de dona de casa que é limpar e arrumar armários, por exemplo, é tão chato que vou adiando só para gozar um pouco desse dolce far niente.

Assim resolvi dividir com vocês algumas receitas já testadas por mim, que estou na fase de padeira, graças a uma receita da Telma que me fez perder medo de fazer pão. Assim de padeira a pizzaiola ( é assim que escreve? Helô socorre aí!) foi um pulo.

O barato de tentar fazer pão vem lá de minha infância, da casa de D. Paulina, que para os que não conhecem é minha mãe. Minha mãe todo sábado, lá em Cachoeiro de Itapemirim (ES), fazia pães, biscoitos , doces de leite, tudo caseiro. Eu admirava e saboreava, particularmente, a rosca doce. Na verdade eu curtia mesmo era ver, depois de sovada a massa, uma pequena parte da mesma, uma bolinha, ser colocada em um copo dágua para subir assim que o pão crescesse. Eu ficava ali hipnotizada esperando a bolinha subir e era uma festa quando, de repente,ela subia anunciando que o pão já estava prestes a se tornar refeição. Aquela bolinha parecia mágica de mãe. E como criança gosta de mágica e da mãe, eu achava aquilo tudo muito divertido e acolhedor.

Essa massa serve para fazer uma forma de pão, duas tortas, ou duas a três pizzas medias, dependendo da espessura que você preferir da massa. Essa receita eu tirei do livro Cozinha de Bistrô, de Patrícia Wells, que é um livro que eu adoro.

1 xícara de chá de água morna
15 gramas de fermento para pão em tablete ( é 1 tablete)
2 1/4 a 2 1/2 xícaras de chá de farinha de trigo
(eu faço integral assim resolvi acrescentar metade de trigo branco e metade integral)
1 pitada de açúcar
1 colher de chá de sal.

Em uma tigela grande misture a água , o fermento até ele dissolver bem . Acrescente 1 xícara de trigo e o açúcar. Mexa até misturar bem. Deixe descansar por 5 minutos.
Junte o sal e vá acrescentando o restante do trigo, misturando com uma colher de pau. Amasse a massa e vá acrescente o restante da farinha, pouco a pouco até ela deixar de ficar grudenta,( sempre tem que colocar um pouco mais). Sove bem até a massa ficar brilhante e lisa ( com o trigo integral ela não fica tão brilhante como quando a fazemos só com trigo branco).
Cubra amassa e deixe crescer - tá na hora de fazer a bolinha mágica de dona Paulina. A massa vai dobrar de tamanho. Com os punhos baixe a massa e deixe crescer por mais uma hora. Ela está pronta para ser assada. Se for guardar coloque-a num recipiente que vede bem e leve a geladeira.
Rende cerca de 500 gramas de massa de pão.

Ficaram com água na boca? Mãos a obra!

Grande abraço,