sábado, 10 de setembro de 2011

Impressões de Viagem.

 Aproveitando o feriado de 07 e 08 de Setembro, dia da cidade de Vitória, fomos conhecer Maceió e algumas praias e cidades do interior de Alagoas. 
Confesso que me espantei com tanta sujeira, lixo mesmo, que vi nas praias daquele estado. Lá o mar é lindo mas a areia é muito suja, muito mesmo. Na areia dá para tropeçar em  sacolas e copos de plástico, garrafas pet e por aí vai. Uma imundicie que nem nos deu vontade de entrar na água! Seria essa sujeira reflexo ou metáfora da sujeira política que vigora no estado?
A ausência do poder público  - prefeitura e do governo do estado -  estavam ali estampadas nas areias sujas dos pontos turísticos, que pareciam terra de ninguém. Só pareciam porque naquele estado tudo tem dono.
Se por um lado me encantei com a arquitetura de alguns prédios da cidade, por outro me chocou a pobreza da população. 
Alagoas é um dos estados com maior concentração de renda do país. Lá umas poucas famílias são donas de toda a riqueza do estado que quase não tem indústrias.
O estado é eminentemente agrícola. A monocultura da cana de açúcar só é quebrada por algumas plantações de coqueiros e por uma plantação de fumo que existe em um dos municípios do estado. O estado é uma enorme plantação de cana. É cana para todo lado! Só crime de mando não dá cana por lá.

Só para voces terem uma idéia da situação de pobreza da população, um guia nos informou que um trabalhador que sobe, colhe os cachos de coco e limpa os coqueiros faz isso em 30 segundos. Sabem quanto ele ganha por cada coqueiro em que ele sobe? Cinquenta centavos. É muita exploração, não acham? Façam as contas de quantos coqueiros esse trabalhador terá que subir para dar de comer à sua família. Esse mesmo guia nos disse que a mão de um colhedor de coco é tão dura quanto uma sola de um pé, desses bem grossos.

Nas cidadezinhas do interior de Alagoas vimos coisas que só estávamos acostumados a ver em filmes ou  a ler em romances. Vou descrever algumas delas:
- Ônibus de trabalhadores rurais, colhedores de cana. Estes trabalhadores ainda dormem em alojamentos nas fazendas. O ônibus parado e os trabalhadores, vigiados por um capataz, colhendo cana em pleno 7 de Setembro. A independência ainda não chegou para aqueles brasileiros.
- Na ilha de Crôa, um lugarejo paupérrimo a caminho da praia de Carro Quebrado, entramos na rua errada. Dessas ruas em que só passa um carro. Com casas bem pobres dos dois lados. Lá encontramos um sujeito com um alto falante em um carro. Ele vendia uma pomada e na propaganda que fazia dizia que o remédio curava de arranhão até mordida de cobra! A gente só via gente esticando o braço e comprando. Surreal!
 Em várias cidadezinhas que passamos vimos, dentre outras coisas:
- O esgoto a céu aberto.
- Uma imagem do Padre Cícero na praça, 
- Uma lavanderia municipal que é um local fechado, coberto e  cheio de tanques para a população lavar suas  roupas e vasilhas.  A existência dessa lavanderia significa que falta água encanada na maioria das casas de tais lugarejos. 
 - Nesses mesmos lugarejos vimos muitas antenas parabólicas. Fico curiosa de saber como a população se vê e se percebe frente à riqueza dos cenários da novelas globais.
- Descobrimos que num lugarejo daqueles nasceu o Aurélio. Aquele do dicionário da Língua Portuguesa.
 
Dentre os passeios que fizemos destaco um artesão que pintou, em nossa frente, com o dedo, um azulejo com a paisagem da praia de Maragogipe, onde estávamos. Claro que acabamos comprando o seu trabalho.
 
O passeio que mais gostei em Alagoas foi conhecer a foz do Velho Chico em Piaçabuçu, a única palavra com dois çç da língua portuguesa. Êta rio danado de bonito!!! Lá comprei uma imagem do santo que dá nome ao rio e segui o ritual. Batizei a imagem nas águas do rio por três vezes e fiz três pedidos. Pena que não posso contar senão não se realizam! 
Bonito de ver aquele povo sofrido sonhando através do batismo do santo, das promessas para o Padre Cícero. Não é o sonho a bússola que dá sentido à vida? 


   

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