quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Por um natal mais humano.


Dezembro é tempo de natal, época de luzes, flores e promessas de vida.
A cidade aonde moro já está toda enfeitada na orla e nos bairros por onde ando.
As tardes de verão convidam a um passeio no calçadão sentindo a brisa do mar.
O horário de verão, que retarda o anoitecer, nos engana e nos convida a vivermos mais um pouco a cada dia.
Foi, há alguns anos atrás, em uma dessas tardes lindas de dezembro, ao voltar do trabalho, que me deparei, pela primeira vez, com um homem puxando uma carroça. Ele catava papel, garrafa pet, vidros e outros materiais recicláveis nos lixos e saía, como um animal, puxando uma carroça lotada com o material que ele estava coletando.
Aquela cena me causou muito mal estar e indignação.
Aquele foi o primeiro desses catadores de papel que encontrei.
Muitos outros continuam pelas ruas da cidade durante todos os meses do ano. Eles passaram a fazer parte da paisagem urbana, que reflete as desigualdades sociais de nosso país.
Como o natal é tempo de esperanças e sonhos, um sonho recorrente sempre me retorna. É o sonho de um Brasil menos desigual, com trabalho digno para todos os brasileiros.
Nesse dia as tardes de dezembro serão mais iluminadas, a brisa do mar mais fresca e as flores serão mais coloridas e perfumadas.
Procuro fazer uma pequena parte para que um dia esse meu sonho se torne realidade. O que faço é um gota dágua no oceano.

Um comentário:

  1. Ai, Angela. Também sonho com o dia em que haverá menos desigualdade no nosso país. Procuro também fazer a minha parte. Às vezes desanimo, mas procuro não perder a esperança. E não são todas as pessoas que enxergam esses catadores de papel em nossa cidade. Pelo menos não do mesmo ponto de vista.

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